11 de Maio de 2013
7 de Maio de 2013
6 de Maio de 2013
29 de Abril de 2013
6 de Fevereiro de 2013
À noite não posso dormir: estou encharcado de azul. Vou a pé pela estrada fora sob o luar derretido (...)
Olho o vasto coliseu. Pedras, calhaus cobertos de líquenes, roxos como flores enormes, foram atiradas a esmo para todos os lados (...) Começa a ouvir-se a voz trágica do vento, que geme, adquire aqui dentro sonoridade que põe medo e grita, chama lá do alto como se fosse a voz da cratera pregando aos céus. Esta paisagem morta, esta cor de glicínia das pedras esparsas, o nevoeiro que azula e corre em vagas fantásticas sobre os musgões brancos, descendo ao lago sem uma ruga (...) Atrai-nos, e nunca mais o esquecemos, aquele olhar que parece humano e que vem do fundo dos fundos, dum subterrâneo parecido com o que trazemos connosco e não conseguimos arredar para longe...
Raúl Brandão, 1926
Olho o vasto coliseu. Pedras, calhaus cobertos de líquenes, roxos como flores enormes, foram atiradas a esmo para todos os lados (...) Começa a ouvir-se a voz trágica do vento, que geme, adquire aqui dentro sonoridade que põe medo e grita, chama lá do alto como se fosse a voz da cratera pregando aos céus. Esta paisagem morta, esta cor de glicínia das pedras esparsas, o nevoeiro que azula e corre em vagas fantásticas sobre os musgões brancos, descendo ao lago sem uma ruga (...) Atrai-nos, e nunca mais o esquecemos, aquele olhar que parece humano e que vem do fundo dos fundos, dum subterrâneo parecido com o que trazemos connosco e não conseguimos arredar para longe...
Raúl Brandão, 1926
28 de Janeiro de 2013
E aquela Sombra, cósmica e nocturna,
Disse, tomando a forma grandiosa,
Em bruta pedra e saibro, tão soturna,
Do busto fulminado da montanha:
«Eu sou a antiga serra do Marão,
que na tua memória se alevanta,
Toda de estéril fraga e solidão,
Toda em silêncio eterno e branca neve.
Sou aquela montanha, austera e calma,
De bronze e névoa e roxos tons de dor,
Que se esfuma nos longes da tua alma
E se orvalha de lágrimas doiradas...
E cavo, dentro de ti, despenhadeiros,
De onde os lobos famélicos se afastam.»
(...)
E aquela voz de trevas inundou
O litoral celeste; e a voz da serra,
Que Júpiter, outrora, baptizou,
Com um brumoso nome trovejante:
Marão! Onde entra o mar, espadanando!
Onde ecoam os ventos e onde as nuvens,
Sobre os nocturnos píncaros pousando,
São ilusões de fumo, pesos de água!...
(...)
Tudo é milgre e sombra, ó Natureza!
Teixeira de Pascoaes, 1911
Disse, tomando a forma grandiosa,
Em bruta pedra e saibro, tão soturna,
Do busto fulminado da montanha:
«Eu sou a antiga serra do Marão,
que na tua memória se alevanta,
Toda de estéril fraga e solidão,
Toda em silêncio eterno e branca neve.
Sou aquela montanha, austera e calma,
De bronze e névoa e roxos tons de dor,
Que se esfuma nos longes da tua alma
E se orvalha de lágrimas doiradas...
E cavo, dentro de ti, despenhadeiros,
De onde os lobos famélicos se afastam.»
(...)
E aquela voz de trevas inundou
O litoral celeste; e a voz da serra,
Que Júpiter, outrora, baptizou,
Com um brumoso nome trovejante:
Marão! Onde entra o mar, espadanando!
Onde ecoam os ventos e onde as nuvens,
Sobre os nocturnos píncaros pousando,
São ilusões de fumo, pesos de água!...
(...)
Tudo é milgre e sombra, ó Natureza!
Teixeira de Pascoaes, 1911
17 de Janeiro de 2013
16 de Janeiro de 2013
10 de Janeiro de 2013
Pienso en un tigre. La penumbra exalta
La vasta Biblioteca laboriosa
Y parece alejar los anaqueles;
Fuerte, inocente, ensangrentado y nuevo,
él irá por su selva y su mañana
Y marcará su rastro en la limosa
Margen de un río cuyo nombre ignora
(En su mundo no hay nombres ni pasado
Ni porvenir, sólo un instante cierto.)
Y salvará las bárbaras distancias
Y husmeará en el trenzado laberinto
De los olores el olor del alba
Y el olor deleitable del venado;
Entre las rayas del bambú descifro,
Sus rayas y presiento la osatura
Baja la piel espléndida que vibra.
En vano se interponen los convexos
Mares y los desiertos del planeta;
Desde esta casa de un remoto puerto
De América del Sur, te sigo y sueño,
Oh tigre de las márgenes del Ganges.
Cunde la tarde en mi alma y reflexiono
Que el tigre vocativo de mi verso
Es un tigre de símbolos y sombras,
Una serie de tropos literarios
Y de memorias de la enciclopedia
Y no el tigre fatal, la aciaga joya
Que, bajo el sol o la diversa luna,
Va cumpliendo en Sumatra o en Bengala
Su rutina de amor, de ocio y de muerte.
Al tigre de los simbolos he opuesto
El verdadero, el de caliente sangre,
El que diezma la tribu de los búfalos
Y hoy, 3 de agosto del 59,
Alarga en la pradera una pausada
Sombra, pero ya el hecho de nombrarlo
Y de conjeturar su circunstancia
Lo hace ficción del arte y no criatura
Viviente de las que andan por la tierra.
Un tercer tigre buscaremos. Éste
Será como los otros una forma
De mi sueño, un sistema de palabras
Humanas y no el tigre vertebrado
Que, más allá de las mitologías,
Pisa la tierra. Bien lo sé, pero algo
Me impone esta aventura indefinida,
Insensata y antigua, y persevero
En buscar por el tiempo de la tarde
El otro tigre, el que no está en el verso.
Jorge Luis Borges, 1960
9 de Janeiro de 2013
13 de Dezembro de 2012
11 de Dezembro de 2012
8 de Dezembro de 2012
5 de Dezembro de 2012
4 de Dezembro de 2012
30 de Novembro de 2012
23 de Outubro de 2012
15 de Outubro de 2012
8 de Outubro de 2012
9 de Agosto de 2012
12 de Julho de 2012
6 de Julho de 2012
4 de Julho de 2012
14 de Junho de 2012
4 de Junho de 2012
Corto Maltese em As Tintínicas
A minha página na edição Efeméride nº5, de Geraldes Lino, dedicada à figura Corto Maltese, criada por Hugo Pratt. Quarenta e cinco autores reunidos em formato gigante, e cá fica também a imagem da capa, de Regina Pessoa
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